Os anos bolonheses

Giuseppe Antonio Landi, nasce em Bolonha, na capital emiliana, no dia 30 de outubro de 1713, filho de Carlo Antonio Landi, doutor em Filosofia e Medicina e professor de Lógica e Filosofia na Universidade, e de Antonia Maria Teresa Guglielmini.

No Registro de Batismo do Arquivo do Arcebispado de Bolonha, doc.n. 247, do dia 30 de outubro de 1713 consta: ‚ÄúAntonius Ioseph, filius illustrissimi et excellentissimmi Domini Antoni Landi, Philosophie et Medicinae Doctoris ac Lectoris Publici, et illustrissimae Dominea Antoniae Mariae Theresiae Gulielmini eius uxoris; natur heri nocte hora VII ¬Ĺ sub parochia S.Leonardi, batisatus ut supra. Compater illustrissimus et excellentissimus Dominus Iohannes Marcus Bigatti ‚Äú.

√Č o segundo filho de cinco irm√£os e uma irm√£. Na casa onde nasceu, na Rua Broccaindosso n¬į 51 (antigamente n¬į737), todavia existente, vive ate os 15 anos de idade. Em 1728 a fam√≠lia se muda para uma casa situada na via dei Vitale (hoje via Guido Reni al n¬į3). Volta a viver numa casa ao lado daquela onde nasceu, na Via Broccaindosso, nos anos de 1746 a 1747.

A partir de 1730, Landi come√ßa a freq√ľentar o Instituto de Ci√™ncias e das Artes de Bolonha, mas conhecido com Academia Clementina, onde se forma como Mestre em Arquitetura e Perspectiva. A sua atividade art√≠stica √© influenciada por Fernando Galli Bibiena de quem foi aluno predileto. Obteve v√°rios reconhecimentos atrav√©s de pr√™mios institu√≠dos pelo fundador da academia, Luigi Ferdinando Marsili, para os jovens talentosos. Em 1732 vence o premio de segunda classe de arquitetura com o desenho de uma ‚ÄúPorta di un tempio magnifica e nobile ‚Äú; em 1736 o premio de primeira classe de arquitetura com tema ‚ÄúLa facciata di una porta nobile di ordine dorico, e con la sua pianta di profilo, e prospettiva‚ÄĚ.

Em 1738 Ferdinando Bibiena lan√ßa a proposta de agregar o seu aluno entre os acad√™micos de Numero, os quarenta mestres que guiavam a Academia Clementina. Numa nota a margem de uma copia da Storia dell‚ÄôAccademia Clementina publicada no mesmo ano de 1738, Giampietro Zanotti, secret√°rio da Academia, nos deixa um retrato de Landi tra√ßando o car√°ter e o perfil psicol√≥gico: ‚Äúeste Landi √® um maluco o mais despropositado que exista no mondo, enfim doido, e, pois doido. Agora √© nosso acad√™mico e come√ßou a ter ju√≠zo‚Ķ Nenhum certamente √© mais apaixonado pela sua arte do que ele o √©, a estuda profundamente. Podemos desejar-lhe boa fortuna, ela merece porque ele √® honest√≠ssimo, agrad√°vel tamb√©m, e buf√£o gracioso o quanto podemos dizer, mas sempre cm prud√™ncia e respeito‚Ķ‚ÄĚ.

Antes de ser nomeado efetivamente entre os acad√™micos, em 1741 Landi foi diretor da Escola de Arquitetura com Stefano Orlandi, Pietro Scandellari e Giuseppe Civoli; e de novo, em 1745, foi nomeado diretor, com Stefano Orlandi, Giuseppe Orsoni e com Carlo Sicinio Galli Bibiena, filho de Francesco, que, alguns anos depois o encontrar√° em Lisboa. Dois anos mais tarde, em 1747, o seu nome foi proposto √† aprova√ß√£o da Assunteria di Istituto e del Reggimento , o org√£o de governo que se ocupava do Instituto de Ci√™ncias e da Academia Clementina, para a agrega√ß√£o entre os Acad√™micos de N√ļmero. Dia 4 de fevereiro de 1748 foi registrado nas Atas, a aprova√ß√£o e enfim em 1749 Landi aparece entre os Acad√™micos de N√ļmero; no mesmo ano figura tamb√©m entre os diretores da Escola de Arquitetura com Carlo Bibiena, Prospero Pesci e Giacomo Monari. Nesse ano foi tamb√©m nomeado como componente da comiss√£o, formada por Carlo Bibiena, Giuseppe Civoli, Ercole Lelli, Alfonso Torreggiani e Giuseppe Orsoni, que, a pedido de Francesco Dotti, exprime parecer sobre o conserto feito na c√ļpula de S.Pedro em Roma.

A atividade de Landi √© vasta e variada, respirando o clima cultural de sua cidade. Bolonha era naquele tempo a capital da pintura ilusionista de arquitetura. T√©cnicos especializados pintavam as fachadas dos pal√°cios com uma t√©cnica nova para tornar-los mais surpreendentes e suntuosos. Fundos s√£opintados nos muros, falsas perspectivas em jardins, decora√ß√Ķes teatrais e ef√™meras: uma arquitetura de enganos que ajudava aquela vontade de surpreender t√≠pica da √©poca. Landi estava entre os melhores mestres desta arte criando fantasias e espa√ßos imagin√°rios. H√°bil no desenho e na grava√ß√£o, em Bolonha desenhava igrejas e pal√°cios, p√°tios, arcos triunfais dedicados ao Papa e os projetos de forte influxo cenogr√°fico para a renova√ß√£o das portas urbanas.

Em 1747 foi encarregado da completa renovaçãoda Igreja dos Agostinianos em Cesena, mesmo se a questão da efetiva paternidade do projeto não tenha sido resolvida com certeza; a sua proposta foi, porém aprovada por Luigi Vanvitelli, interpelado na sua qualidade de arquiteto pontifício.

No dia 14 de junho de 1750 Landi, com 37 anos de idade, participa pela ultima vez de uma reuni√£o da Academia Clementina. √Č de fato nesse ano que chega a Bolonha o frade Jo√£o √Ālvares Gusm√£o a procura de t√©cnicos para formar a Comiss√£o portuguesa para a delimita√ß√£o das fronteiras com a Espanha, na col√īnia do Brasil.

Arquiteto conhecido e catedr√°tico de prestigio, as suas fantasiosas id√©ias o teriam bem cedo levado para longe de Bolonha, decidindo de participar como desenhador de mapas geogr√°ficos e de sujeitos natural√≠sticos, da expedi√ß√£o portuguesa de explora√ß√£o e ocupa√ß√£o da bacia amaz√īnica.